sexta-feira, 30 de outubro de 2026

A reversibilidade da doença não impede a concessão do auxílio-acidente!

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Informações aqui


O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.112.886/SP (Tema 156), firmou entendimento de que a possibilidade de reversão da doença, mediante tratamento ambulatorial ou cirúrgico, não afasta, por si só, o direito ao auxílio-acidente.

Para a concessão do benefício, é necessário comprovar a redução permanente da capacidade para o trabalho habitual e o nexo causal exigido pela legislação previdenciária.

Essa jurisprudência é fundamental para a advocacia previdenciária, especialmente nos casos de lesões por esforços repetitivos e doenças que podem apresentar melhora clínica com o tratamento.

Em seguida segue acórdão aplicando o referido precedente qualificado e como o judiciário o tem aplicado.

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO

PODER JUDICIÁRIO

Tribunal Regional Federal da 3ª Região

10ª Turma

APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº
5072932-46.2023.4.03.9999
RELATOR:
Gab. 36 - DES. FED. LEILA PAIVA
APELANTE: FERNANDO CINCIARELI

Advogado do(a) APELANTE: PAULO CESAR VIEIRA DO PRADO - SP379491-N

APELADO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS

OUTROS PARTICIPANTES:

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO

PODER JUDICIÁRIO

Tribunal Regional Federal da 3ª Região

10ª Turma

APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº
5072932-46.2023.4.03.9999
RELATOR:
Gab. 36 - DES. FED. LEILA PAIVA
APELANTE: FERNANDO CINCIARELI

Advogado do(a) APELANTE: PAULO CESAR VIEIRA DO PRADO - SP379491-N

APELADO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS

OUTROS PARTICIPANTES:


PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO

PODER JUDICIÁRIO

Tribunal Regional Federal da 3ª Região

10ª Turma

APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 5072932-46.2023.4.03.9999

RELATOR: Gab. 36 - DES. FED. LEILA PAIVA

APELANTE: FERNANDO CINCIARELI

Advogado do(a) APELANTE: PAULO CESAR VIEIRA DO PRADO - SP379491-N

APELADO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS

OUTROS PARTICIPANTES:


E M E N T A

PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO DE INCAPACIDADE. AUXÍLIO-ACIDENTE. LEI 8.213/1991. DECRETO 3.048/1999. SEQUELASDECORRENTES DE ACIDENTE DE QUALQUER NATUREZA EREDUÇÃO DA CAPACIDADE LABORAL NÃO CONFIGURADAS.REQUISITOS LEGAIS AUSENTES.

- O benefício de auxílio-acidente está disciplinado no artigo 86 da Lei n.8.213, de 24/07/1991, a denominada Lei de Benefícios da Previdência Social(LBPS), e consiste em indenização paga ao segurado quando, após aconsolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza

,resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho habitual. O Decreto n. 3.048, de 06/05/1999, que institui o Regulamento da LBPS, disciplinou o auxílio-acidente em seu artigo 104.

- A redução da capacidade para o trabalho pode ser de qualquer natureza, ainda que mínima confere ao segurado o direito ao benefício.

- O nexo de causalidade não exige a irreversibilidade da redução da incapacidade conforme foi sedimentado pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do REsp 1.112.886/SP, Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, que cristalizou o Tema 156/STJ: "Será devido o auxílio-acidente quando demonstrado o nexo de causalidade entre a redução de natureza permanente da capacidade laborativa e a atividade profissional desenvolvida, sendo irrelevante a possibilidade de reversibilidade da doença”.

- Decorre do laudo técnico que o principal requisito para a concessão do benefício de auxílio-acidente não se encontra presente na espécie, na medidaem que não ficou comprovada a existência de sequelas causadas por acidente de qualquer natureza que implicariam na redução da capacidade para o trabalho.

- De acordo com a conclusão da perícia, a parte autora não apresenta incapacidade atual para o desempenho da atividade laboral habitual, tampouco prejuízo para a vida independente ou atos da vida civil.

- Apelação não provida.

ACÓRDÃO

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Décima Turma, porunanimidade, decidiu negar provimento à apelação da parte autora, nos termos do relatório e votoque ficam fazendo parte integrante do presente julgado.


quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Vítimas de violência doméstica tem direito a benefício mesmo sem qualidade de segurada

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Matéria.

A Portaria Conjunta MPS/INSS Nº 48, de 2026, regulamentou a concessão do Benefício por Afastamento em razão de violência doméstica. Um dos requisitos exigidos é a qualidade de segurada.

No entanto, ao julgar o RE 1.520.468/PR, o ministro Flávio Dino aborda a responsabilidade pela remuneração durante o afastamento do trabalho de mulheres vítimas de violência doméstica, destacando o dever de proteção social previsto na Constituição Federal. No autos do referido voto, o ministro fixa a tese de que o benefício tem natureza previdenciária e assistencial. In verbis:

Além disso, considerando que se trata de situação excepcional, reconhecida judicialmente e legalmente limitada no tempo (cujo prazo máximo é de seis meses), não há afronta à necessidade de prévia fonte de custeio, uma vez que o sistema previdenciário e assistencial já contempla a cobertura de riscos sociais que comprometem a subsistência e a dignidade da pessoa segurada ou protegida, sendo a violência doméstica uma dessas hipóteses, por interpretação analógica cabível na espécie. 

(...)

Realço que no caso de a mulher afastada não ser segurada obrigatória ou facultativa da previdência social, atuando como trabalhadora autônoma informal, a prestação advinda da medida RE 1520468/PR protetiva assume natureza assistencial. 

Confira o conteúdo integral do voto no link abaixo e aprofunde seus conhecimentos sobre um tema relevante para a advocacia previdenciária.


Voto Benefício por Violência Doméstica

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Governo confirma que somente a partir de 01/07/2027 será necessária visita domiciliar para CadÚnico



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Como já noticiado em nosso perfil @profthiagoalbuquerque , DPU, INSS e União promoveram um Acordo para dispensar a necessidade de visita domiciliar para inclusão, alteração ou atualização de CadÚnico.

Confira a Portaria do Ministério do Desenvolvimento Social que cumpre o Acordo (também transcrito após a Portaria):


Altera a Portaria MDS Nº 1145/2025, que dispõe sobre o cronograma e os procedimentos para a aplicação do art. 2º da Lei Nº 15077/2024, e dá outras providências.

O MINISTRO DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, FAMÍLIA E COMBATE À FOME, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto no art. 2º da Lei nº 15.077, de 27 de dezembro de 2024; CONSIDERANDO a celebração do ACORDO MDS/INSS/DPU Nº 4/2026, que dispõe sobre medidas de suspensão temporária da obrigatoriedade de entrevista em domicílio para inscrição ou atualização cadastral de famílias unipessoais beneficiárias ou requerentes do Benefício de Prestação Continuada - BPC e do Programa Bolsa Família - PBF, em resposta à Ação Civil Pública nº. 5002171-51.2026.4.03.6000, movida em face da União e do INSS, em trâmite perante a 4ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Campo Grande/MS, resolve: 

Art. 1º A Portaria MDS nº 1.145, de 29 de dezembro de 2025, publicada no Diário Oficial da União n° 248, no dia 30 de dezembro de 2025, Seção 1, página 37, passa a vigorar com as seguintes alterações:

"Art. 1º .........................................................................................................

I - a Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único e a Secretaria Nacional de Renda de Cidadania disciplinarão os procedimentos com o cronograma de atualização cadastral a que se refere o § 2º do art. 2º da Lei nº 15.077, de 27 de dezembro de 2024, até 31 de dezembro de 2026; e

.................................................................................................................." (NR)

"Art. 2º A partir de 1º de julho de 2027, as atualizações cadastrais de famílias unipessoais beneficiárias do Programa Bolsa Família somente poderão ser realizadas no domicílio da família, ressalvadas as exceções regulamentadas pelo órgão federal gestor do CadÚnico." (NR)

"Art. 2º-A A entrevista domiciliar passará a ser obrigatória para a inclusão ou atualização cadastral de requerentes ou beneficiários do Benefício de Prestação Continuada - BPC a partir de 1º de julho de 2027, ressalvadas as exceções regulamentadas pelo órgão federal gestor do CadÚnico." (NR)

Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

JOSÉ WELLINGTON BARROSO DE ARAÚJO DIAS



Lei a sentença homologatória:


Justiça Federal da 3ª Região – 1º Grau

Processo nº 5002171-51.2026.4.03.6000

Ação Civil Pública Cível

 

SENTENÇA

 

Relatório e decisão inicial. Pedido de suspensão do feito. Proposta de acordo apresentada pela União. O INSS, a DPU e o MPF manifestaram-se pela homologação do acordo.

 

Trata-se de ação civil pública proposta pela Defensoria Pública da União em face da União Federal e do INSS acerca da exigência de entrevista domiciliar para inscrição, atualização cadastral, concessão e manutenção do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e do Programa Bolsa Família.

 

As partes celebraram o Termo de Acordo MDS/INSS/DPU nº 4/2026, estabelecendo, em síntese, que até 1º de julho de 2027 a ausência de cadastro domiciliar não impedirá a inscrição, atualização cadastral, concessão do BPC nem a manutenção do Programa Bolsa Família, além de prever revisão dos atos infralegais pertinentes.

 

Ante o exposto, HOMOLOGO O ACORDO e JULGO EXTINTO O PROCESSO, COM RESOLUÇÃO DO MÉRITO, nos termos do art. 487, III, 'b', do CPC.

 

A decisão produz efeitos de coisa julgada coletiva, com eficácia nacional, nos termos do art. 16 da Lei nº 7.347/1985.

 

Sem honorários sucumbenciais.

 

GUILHERME VICENTE LOPES LEITES

Juiz Federal Substituto


segunda-feira, 29 de junho de 2026

TNU diverge do STJ e abre possibilidade de interposição de PUIL

 


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O Tema 385 da TNU inicia com uma distinção que todo advogado previdenciarista gostaria de ver se aplicado em laudos médicos: a afirmação de que a caracterização da deficiência não exige a incapacidade para o trabalho. Ponto para o colegiado!

Tema 385 da TNU:

1. Para fins de concessão do benefício de prestação continuada (BPC/LOAS), a caracterização da deficiência não exige a demonstração de incapacidade para o trabalho. O requisito legal é o impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, entendido como alteração ou perda significativas na função ou estrutura do corpo, que, em interação com barreiras, obstrua a participação plena e efetiva do requerente na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas, devendo sua aferição ser realizada por meio de avaliação biopsicossocial.

O que preocupada, no entanto, está escrito logo adiante. Segundo a TNU, como medida de economia processual, o julgador pode dispensar a realização de avaliação biopsicossocial, caso o impedimento seja LEVE. In verbis:

2. Como medida de economia processual, o julgador poderá adotar os seguintes parâmetros:

(i) a constatação judicial, com base em perícia médica, de inexistência de impedimento, de impedimento de grau leve ou de impedimento passível de resolução em menos de dois anos dispensa a realização de avaliação biopsicossocial, por afastar pressuposto necessário à caracterização da deficiência;

Acontece que está não tem sido a jurisprudência adotada pela Corte Maior de Interpretação de Lei Federal, o Superior Tribunal de Justiça. Segundo o STJ, a Lei 8.742/93 não estabelece critérios mínimos de gravidade para reconhecer o direito ao benefício. Segundo a jurisprudência hodierna da Corte, a Lei 8.742/93 apenas exige a comprovação de deficiência com impedimento (independente do nível):

Lei 8.742/93. Art. 20,0 § 2o  Para efeito de concessão do benefício de prestação continuada, considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.                       (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015)         (Vigência)

Neste sentido, ao não exigir o nível ou gravidade de impedimento, a egrégia Corte tem entendido que a existência de impedimento por si só já ensejadora do direito ao BPC. Nesta quadratura:

A Lei nº 8.742/1993 não estabelece um critério de gravidade para a deficiência. O que se exige é que a pessoa tenha impedimentos de longo prazo que dificultem sua participação plena e efetiva na sociedade. REsp 1.404.019/SP.

  No mesmo sentido: 

Para a de concessão do Benefício de Prestação Continuada – BPC à pessoa com deficiência, disciplinado na Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS, não cabe ao intérprete da lei fazer imposição de requisitos mais rígidos do que aqueles previstos para a sua concessão. (REsp 1.962.868-SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 21/3/2023, DJe 28/3/2023).

Ao divergir de maneira diametralmente oposta ao STJ, a TNU abre a possiblidade de Incidentes de Uniformização, caso a decisão  da Turma Nacional continue negado o direito ao BPC se o impedimento for leve. A previsão para interposição do Incidente, ou Pedido de Uniformização de Interpretação de Lei  (PUIL) está  Lei dos Juizados Especiais Federais.

Lei 10.259/2001.

Art. 14,§ 4o Quando a orientação acolhida pela Turma de Uniformização, em questões de direito material, contrariar súmula ou jurisprudência dominante no Superior Tribunal de Justiça -STJ, a parte interessada poderá provocar a manifestação deste, que dirimirá a divergência.

É importante dominar não só a legislação, mas Questões de Ordem para um manuseio próprio desse importante instrumento de preservação e estabilidade jurisprudencial. Quer conhecer mais? Vem fazer Pós-graduação comigo!

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BPC negado por renda por ser protocolado novamente com aproveitamento da perícia e avaliação social

 



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Desde a edição do Decreto 12.534/2025, o INSS tem considerado os valores do Bolsa-família na renda do Benefício de Prestação Continuada. Isso impactou em centenas de milhares de negativa. Para além da falta de ciência do novo decreto, a população com perfil de BPC depende, muitas vezes, exclusivamente do Bolsa-família para se manter. Então seria impraticável pedir a cessação do BF sem sequer saber se o BPC seria concedido.

Atualmente, o INSS permite a opção de cancelamento do BF caso o BPC seja concedido. E isso pode ajudar a resgatar o direito do seu cliente.

Se o BPC foi negado simplesmente devido a renda, um novo requerimento pode ser postulado, afirmando a opção pelo Benefício de Prestação Continuada com a devida cessação do BF. E, ainda, aproveitando a Avaliação Conjunta (perícia médica e avaliação social)do INSS.

A fundamentação para o aproveitamento está na Portaria 1.626/2025. A Portaria prevê o reaproveitamento caso a Avaliação Conjunta não tenha mais de 2 (dois) anos. Esse prazo é contado não a partir da DER, mas do último ato de Avaliação praticado, seja a perícia ou avaliação social.

Confira na íntegra a Portaria:

Portaria INSS/PRES Nº 1626 DE 25/10/2023




Altera a Portaria PRES/INSS Nº 1380/2021, que dispõe sobre dedução de gastos

da renda mensal bruta familiar e sobre a dispensa da realização das avaliações 

social e de renda quando a conclusão da avaliação médica for pela inexistência 

de impedimento de longo prazo nos requerimentos de benefícios assistenciais de 

que trata o art. 20 da Lei Nº 8742/1993.



O PRESIDENTE DO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, no uso da 

competência que lhe confere o Decreto nº 10.995, de 14 de março de 2022, e tendo 

em vista o que consta no Processo Administrativo nº 35014.015053/2022-74, resolve:

Art. 1º A Portaria PRES/INSS nº 1.380, de 16 de novembro de 2021, passa a vigorar 

com as seguintes alterações:

"Art. 4º-A Cabe o reaproveitamento da avaliação conjunta com conclusão 

favorável ao reconhecimento da deficiência realizada em requerimento de 

benefício assistencial anterior quando:

I - o indeferimento do requerimento anterior tenha sido por motivo não relacionado 

com a avaliação da deficiência ou do grau de impedimento; e

II - a avaliação tenha sido realizada em período não superior a 2 (dois) anos 

contados retroativamente da Data de Entrada do Requerimento - DER do pedido 

de novo benefício.

§ 1º O prazo a que se refere o inciso II do caput deve ser calculado a partir da data de 

realização da última avaliação, social ou médica, feita no requerimento de benefício 

anteriormente indeferido.

§ 2º Para fins de aplicação do art. 21 da Lei n. 8.742, de 7 de dezembro de 1993, 

o prazo de reavaliação da continuidade das condições que deram origem ao BPC 

deve considerar a data de realização da última avaliação, social ou médica, 

realizada no processo administrativo anterior.

§ 3º A utilização de avaliação realizada em processo administrativo pretérito, sob 

nenhuma hipótese, gera direito ao pagamento de diferenças anteriores à nova DER."

Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

ALESSANDRO ANTONIO STEFANUTTO

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Portaria do INSS admite concessão de salário-maternidade mesmo tendo havido recolhimento de MEI ou Facultativo

 


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O INSS admite a concessão de salário-maternidade mesmo tendo havido recolhimento de contribuição de MEI ou Facultativo no período correspondente a duração do benefício.

O caso pode ocorrer se segurado não conhece bem a legislação e, mesmo estando efetivamente afastado da atividade laboral, acaba recolhendo. Ou, no caso de Facultativo, se houve um recolhimento equivocado.

Essa Portaria 

Segue Portaria na íntegra.

INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL

PORTARIA Nº 133/DIRBEN/INSS, DE 19 DE FEVEREIRO DE 2020

 

Implementa a transferência sistêmica/automática da contribuição do(a) segurado(a) contribuinte individual que exerce atividade por conta própria, Microempreendedor Individual –MEI e facultativo(a) dentro do período de salário maternidade (B-80) e transferência manual da contribuição do(a) segurado(a) contribuinte individual que exerce atividade por conta própria e Microempreendedor Individual – MEI no período de auxílio doença.

 

O DIRETOR DE BENEFÍCIOS DO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS, no uso das atribuições que lhe confere o Decreto nº 9.746, de 8 de abril de 2019, e considerando o contido no

Processo SEI nº 35014.005188/2020-60,

 

RESOLVE:

 

Art. 1º Fica implementada solução tecnológica que transfere automaticamente para Área Disponível para Acerto - ADA as contribuições identificadas do(a) segurado(a) Contribuinte Individual - CI que exerce atividade por conta própria, Microempreendedor Individual – MEI e do segurado facultativo(a) quando concomitantes com salário-maternidade.

§ 1º A transferência automática não será realizada quando a contribuição se referir a mês fracionado, ou seja, quando a Data de Início de Benefício (DIB) e/ou Data de Cessação do Benefício (DCB) ocorrer em fração do mês (início após o primeiro dia/término antes do último dia do mês), uma vez que nessas situações é cabível o recolhimento, nos termos do art. 358 da IN INSS/PRES nº 77/2015.

Art. 2º O sistema realizará a transferência automaticamente, a partir do cruzamento de informações entre benefícios concedidos e conta-corrente (CNIS) do(a) filiado(a), não sendo mais necessária ação do servidor para transferência das contribuições mencionadas (antes ou após o deferimento do benefício de salário-maternidade).

Art. 3º Caberá a transferência manual para ADA, nos casos em que houver contribuição previdenciária concomitante ao requerimento de auxílio-doença, para o CI que exerça atividade por conta própria e Microempreendedor Individual – MEI, desde que o segurado ateste o recolhimento indevido, autorize a transferência para ADA e fique ciente quanto a impossibilidade de aproveitamento da contribuição indevida para fins de reconhecimento de direito a benefícios.

§ 1º Para o ateste a que se refere o caput, deverá ser preenchido requerimento eletrônico “Declaração de Interrupção da Atividade Laboral Remunerada”, nos moldes do Anexo I.

§ 2º O disposto no caput não se aplica às contribuições concomitantes do segurado facultativo com auxílio-doença.

Art. 4º Ficam revogados o Memorando-Circular nº 13/DIRBEN/INSS, de 13/04/2017, e o Memorando-Circular no 24 /DIRBEN/INSS, de 22/06/2017.

Art. 5º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

 

___________________________________________________________________________________

ALESSANDRO ROOSEVELT SILVA RIBEIRO

Diretor de Benefícios

Documento assinado eletronicamente por ALESSANDRO ROOSEVELT SILVA RIBEIRO, Diretor(a), em 19/02/2020, às 19:08, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.

A autenticidade deste documento pode ser conferida no site https://sei.inss.gov.br/sei/controlador_externo.php? acao=documento_conferir&id_orgao_acesso_externo=0, informando o código verificador 0385857 e o código CRC 71F966C3.

___________________________________________________________________________________

ANEXO I

ANEXO À PORTARIA Nº 133/2020/DIRBEN/PRES-INSS, DE 19 DE FEVEREIRO DE 2020.

 

 

DECLARAÇÃO DE INTERRUPÇÃO DA ATIVIDADE LABORAL REMUNERADA PARA FINS DE REQUERIMENTO DE AUXÍLIO DOENÇA

 

Eu, ___________________________________________________________ (nome do contribuinte), portador do CPF nº _____________________ e RG Nº_________________, na qualidade de _________________________ (informar a categoria CI por conta própria ou MEI), declaro, sob as penas do art. 299 do Código Penal, que no período de ___/___/___ a ___/___/___ interrompi minha atividade laboral remunerada e que a contribuição previdenciária recolhida na(s) competência(s) __________________ foi/foram realizada(s) indevidamente.

Autorizo a transferência do(s) recolhimento(s) da(s) contribuição(s) indevida(s) das competências _________________ (discriminar as competências) para a Área Disponível para Acerto de Recolhimento - ADA e declaro estar ciente que essa(s) contribuição(es) indevida(s) não serão utilizadas para quaisquer fins de reconhecimento de direito a benefícios.

 

 

Local: ___________________________________________________   

Data: ________ / _________ / ________________

Assinatura e identificação do(a) requerente ou representante legal

 

A declaração falsa ou diversa de fato ou situação real ocorrida, além de obrigar à devolução de eventuais importâncias recebidas indevidamente, quando for o caso, sujeitar-me-á às penalidades previstas nos arts. 171 e 299 do Código Penal.

Art. 171. Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena -reclusão, de um a cinco anos, e multa.

Art. 299. Omitir, em documento público ou particular, declaração que devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar, obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular.

 

Impressão Digital

(se necessário)

 

Referência: Processo nº 35014.005188/2020-60

SEI nº 0385857

Portaria 133 (0385857)         SEI 35014.005188/2020-60 / pg. 3

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Parecer da AGU admite a concessão de Salário-maternidade mesmo com recolhimento após o parto

 


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Obs: O Parecer foi transcrito em sua integralidade

Parecer Salário-Maternidade – ADI 2110/2111

ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO

CONSULTORIA-GERAL DA UNIÃO

CONSULTORIA JURÍDICA JUNTO AO MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS

_____________________________________________________________________________

PARECER n. 00037/2025/CONJUR-MPS/CGU/AGU

 

NUP: 00746.000397/2022-30

INTERESSADOS: PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL - PC DO B E OUTROS

ASSUNTOS:

 

EMENTA: Documento protegido por sigilo profissional. Art.133 da Constituição Federal. Art. 7º, inciso II, da Lei nº 8.906, de 4 de julho 1994 (Estatuto da OAB). Art. 22 da Lei 12.527, de 18 de novembro de 2011. Art. 6º, inciso I, do Decreto 7.724, de 16 de maio de 2012. Manifestação Técnica nº 00077.002022/2019-39 da Controladoria-Geral da União - CGU. CONSUTLA. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL - RGPS. SALÁRIO-MATERNIDADE. CARÊNCIA.  1) Esclarecimentos de questões relacionadas ao cumprimento da decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2110 e 2111, visando a sua correta operacionalização.  2) PARECER DE FORÇA EXECUTÓRIA n. 00358/2024/SGCT/AGU. 3) Esclarecimentos apresentados ao longo da manifestação.

 

I

 

1. Cuida-se de OFÍCIO n. 00709/2024/SGCT/AGU, oriundo da Secretaria-Geral de Contencioso da Advocacia-Geral da União, comunicando que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu a apreciação das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2110 e 2111, conhecendo parcialmente das ações diretas em questão e declarando a inconstitucionalidade da exigência de carência para a fruição de salário-maternidade, prevista no art. 25, inc. III, da Lei nº 8.213/1991, na redação dada pelo art. 2º da Lei nº 9.876/1999; bem como julgando improcedentes os demais pedidos constantes das ADIs 2.110 e 2.111.

2. Informa, ainda, que a decisão em questão é de caráter imperativo para a Administração Pública federal e possui eficácia desde a publicação da ata da sessão de julgamento contendo a parte dispositiva do acórdão, ocorrida em 05/04/2024.

3. Por meio do DESPACHO n. 00845/2024/CONJUR-MPS/CGU/AGU os autos foram direcionados à Secretaria de Regime Geral de Previdência Social para conhecimento e adoção das providências necessárias para cumprimento da decisão do STF no que tange à carência do salário-maternidade.

4. Retornam os autos em razão da Nota Técnica SEI nº 269/2024/MPS, na qual foi externada a necessidade de se esclarecer o seguintes pontos para a correta operacionalização da decisão pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS:

I - Ante a ausência de carência mínima (recolhimento) e os fundamentos que justificam a concessão do benefício, haverá o reconhecimento do direito na condição de segurado facultativo?

II - Considerando o disposto no art. 29-A da Lei nº 8.213, de 1991, deverá ser exigida a comprovação da atividade do contribuinte individual que recolhe, por conta própria, uma única contribuição em dia, o que, na forma da decisão, já poderá garantir o direito ao pagamento do benefício do salário-maternidade?

III - Frente a não necessidade de carência mínima, poderá ser reconhecido o recolhimento efetuado em dia, porém realizado após o fato gerador?

IV - A decisão se aplica também para os casos de atividades concomitantes (empregada e uma contribuição como contribuinte individual)?

V - A forma de cálculo do benefício consiste em um doze avos da soma dos doze últimos salários de contribuição, apurados em um período não superior a quinze meses. Nas hipóteses em que o cálculo do benefício resulte no valor inferior ao salário mínimo, o benefício deverá ser concedido no valor de um salário mínimo?

VI - Será elaborado parecer de força executória para subsidiar o cumprimento da decisão?

VII - A inconstitucionalidade declarada se estende para a atual redação do dispositivo dada pela Lei nº 13.846, de 2019?

VIII - A decisão tem efeito para fatos geradores a partir de 05 de abril de 2024 ou para requerimentos feitos a partir dessa data?

IX - A decisão se estende aos fatos geradores anteriores à data da decisão? X - Deverá ser observado o prazo prescricional?

XI - Na hipótese de retroação da decisão, a revisão dos benefícios indeferidos dependerá de requerimento dos interessados ou deve-se fazer de ofício?

XII - A decisão se aplica aos casos de nascimento,  aborto, adoção e óbito da mãe?

XIII - É devido o reconhecimento do direito ao segurado(a) servidor público que começar a contribuir como contribuinte individual após a concepção?  Deverá ser exigida a comprovação da atividade?

 

5. Ato contínuo, os autos foram encaminhados à Secretaria-Geral de Contencioso da Advocacia-Geral da União, por meio da NOTA n. 00897/2024/CONJUR-MPS/CGU/AGU, para que fosse esclarecido se seria elaborado o pertinente parecer de força executória (VI), os limites materiais (VII e XII) e temporais (VIII e IX) do julgamento finalizado pelo Supremo Tribunal Federal envolvendo as Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2110 e 2111.

6. Em resposta, foi lavrado o  PARECER DE FORÇA EXECUTÓRIA n.00358/2024/SGCT/AGU (Seq. 36), devidamente aprovado e encaminhado pelo DESPACHO n. 03467/2024/SGCT/AGU (Seq. 37).

7. Iniciada a análise dos pontos apresentados pela Nota Técnica SEI nº 269/2024/MPS, identificou-se a necessidade de se esclarecer junto à Secretaria de Regime Geral de Previdência Social e ao INSS algumas questões de índole técnica com repercussão na análise jurídica a ser dada ao caso concreto, motivando os seguintes questionamentos:

a) É exigido do contribuinte individual que não presta serviço para pessoa jurídica a comprovação do exercício da atividade remunerada? Quais os documentos eventualmente exigidos para tanto?

b) Em sendo afirmativa a resposta ao questionamento anterior, é possível ao contribuinte indiviual, caso não consiga demonstrar o exercício de atividade remunerada, convalidar sua inscrição/filiação para segurado facultativo? Essa convalidação é automática ou depende de requerimento?

c) O contribuinte individual que efetua o recolhimento da sua primeira contribuição dentro do prazo previsto no art. 30, II da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, tem sua proteção social reconhecida desde o primeiro dia da competência correspondente ou apenas a partir do momento em que iniciou exercício da atividade remunerada?

d) O segurado facultativo que efetua o recolhimento da sua primeira contribuição dentro do prazo previsto no art. 30, II da Lei nº 8.212, de 1991, tem sua proteção social reconhecida desde o primeiro dia da competência correspondente ou apenas a partir da data do recolhimento da contribuição, considernado que ele não exerce atividade remunerada?

 

8. Por fim, os autos foram direcionados à Procuradoria Federal Especializada junto ao Instituto Nacional do Seguro Social - PFE/INSS, tendo em vista que os esclarecimentos solicitados pela Secretaria de Regime Geral de Previdência Social envolvem questões operacionais inseridas no âmbito de atuação do INSS.

9. É o breve relato.

 

II

 

10. Preliminarmente, nos termos do art. 11 do Anexo I do Decreto nº 11.356, de 1º de janeiro de 2023, compete a esta Consultoria Jurídica prestar assessoria e consultoria jurídica no âmbito do Ministério da Previdência Social - MPS, bem como fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e dos demais atos normativos, a ser uniformemente seguida na área de atuação do Ministério, além de realizar a revisão final da técnica legislativa, emitindo parecer conclusivo sobre a constitucionalidade, a legalidade e a compatibilidade com o ordenamento jurídico das propostas de atos normativos.

11. O salário-maternidade está previsto no art. 71 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e é devido à segurada empregada, trabalhadora avulsa, segurada especial, empregada doméstica, contribuinte individual e segurada facultativa pelo período de 120 (cento e vinte) dias, visando garantir o afastamento da gestante das atividades laborais, assegurando proteção financeira e proporcionando estabilidade para a mãe e o recém-nascido.

12. Para acessar o benefício previdenciário a segurada especial, a contribuinte individual e a segurada facultativa precisam cumprir a carência prevista no inciso III do art. 25 da Lei nº 8.213, de 1991, isto é, 10 (dez) contribuições mensais, observada a regra trazida pelo art. 39 do mesmo diploma legal.

13. Ocorre que, com visto, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento conjunto das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2110 e 2111, declarou inconstitucional a exigência de carência para a fruição de salário-maternidade prevista no inciso III do art. 25 da Lei nº 8.213, de 1991, nos termos e limites atestados pela Secretaria-Geral de Contencioso da Advocacia-Geral da União no PARECER DE FORÇA EXECUTÓRIA n.00358/2024/SGCT/AGU.

14. Visando otimizar e simplificar a solução da consulta apresentada, passamos a análise de cada questionamento de forma isolada.

 

1. ANTE A AUSÊNCIA DE CARÊNCIA MÍNIMA (RECOLHIMENTO) E OS FUNDAMENTOS QUE JUSTIFICAM A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO, HAVERÁ O RECONHECIMENTO DO DIREITO NA CONDIÇÃO DE SEGURADO FACULTATIVO?

15. Com base no entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal não há respaldo normativo para restringir o acesso ao benefício de salário-maternidade à segurada facultativa, pois uma vez filiada ao Regime Geral de Previdência Social - RGPS, mantida a qualidade de segurado e considerando que a exigência de carência foi declarada inconstitucional, a segurada facultativa terá direito à concessão do salário-maternidade, nos termos do art. 71 e seguintes da Lei nº 8.213, de 1991.

 

2. CONSIDERANDO O DISPOSTO NO ART. 29-A DA LEI Nº 8.213, DE 1991, DEVERÁ SER EXIGIDA A COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE RECOLHE, POR CONTA PRÓPRIA, UMA ÚNICA CONTRIBUIÇÃO EM DIA, O QUE, NA FORMA DA DECISÃO, JÁ PODERÁ GARANTIR O DIREITO AO PAGAMENTO DO BENEFÍCIO DO SALÁRIO-MATERNIDADE?

16. O contribuinte individual é segurado obrigatório do RGPS, pois exerce atividade remunerada/econômica, ainda que por conta própria. Sua contribuição para o sistema previdenciário é baseada na remuneração ou receita auferida mensalmente.

Logo, o enquadramento como contribuinte individual pressupõe o exercício de atividade remunerada e o recolhimento da primeira contribuição em dia.

17. Dessa forma, é exigível a comprovação do exercício da atividade remuneratória ou econômica da segurada contribuinte individual, pois trata-se de pressuposto para a própria filiação como contribuinte individual.

18. Entretanto, nos termos do art. 20 da Lei de Introdução das Normas do Direito Brasileiro - LINDB, incluído pela Lei nº 13.655, de 25 de abril de 2018, não se decidirá na esfera administrativa com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão.

19. No mundo dos fatos, caso o contribuinte individual não comprove o exercício da atividade remunerada, terá sua filiação/inscrição convalidada para a categoria de segurado facultativo, que como visto, também se encontra albergada pela decisão do Supremo Tribunal Federal e não precisa demonstrar exercício da atividade remunerada, pois sua filiação decorre de mero ato volitivo.

20. Logo, exigir que o contribuinte individual demonstre o exercício de atividade remunerada não trará resultados práticos, pois no limite esse segurado terá sua filiação/inscrição convalidada para a categoria de segurado facultativo, cujo direito é assegurado, mas sem a obrigação da demonstração do exercício de atividade remunerada.

21. Portanto, com base no art. 20 da LINDB, impertinente exigir do contribuinte individual a demonstração do exercício da atividade para fins de elegibilidade ao benefício de salário-maternidade.

 

3. FRENTE A NÃO NECESSIDADE DE CARÊNCIA MÍNIMA, PODERÁ SER RECONHECIDO O RECOLHIMENTO EFETUADO EM DIA, PORÉM REALIZADO APÓS O FATO GERADOR?

22. A qualidade de segurado, segundo a doutrina especializada, surge com a filiação previdenciária, entendida como o próprio vínculo jurídico obrigatório estabelecido entre o trabalhador e o Regime Geral de Previdência Social - RGPS, que pode se materializar, para os segurados obrigatórios, pelo próprio exercício de atividade remunerada, ou, para o segurados facultativos, apenas com o ato formal de inscrição.

23. Trata-se do primeiro requisito a ser perquirido no momento da concessão de eventual prestação previdenciária, sem o qual não se cogita a existência da proteção social inaugurada pela filiação. Portanto, a regra geral do ordenamento jurídico previdenciário é pela imprescindibilidade da qualidade de segurado para fins de concessão de prestações previdenciárias.

24. Conforme já assentado no PARECER SEI Nº 11823/2021/ME, da então Coordenação-Geral de Assuntos Previdenciários da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional a filiação do contribuinte individual "autônomo" à Previdência Social se dá com o exercício de atividade remunerada. Todavia, a ele, assim como ao segurado facultativo, compete o ônus de provarem que efetivamente recolheram contribuições, conforme art. 30, inciso II, da Lei nº 8.212, 24 de julho de 1991, o que constitui condição indispensável para assegurar a proteção previdenciária para si e para seus dependentes. Por conseguinte, tanto para o segurado facultativo, quanto para o segurado contribuinte individual "autônomo", a cobertura da previdência social inicia-se apenas após a inscrição formalizada com o pagamento da primeira contribuição e, a seu turno, a manutenção de tal vínculo protetivo demanda a regular continuidade do recolhimento das contribuições.

25. O art. 30, II, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1994, ao passo que obriga o contribuinte individual e o segurado facultativo a recolherem sua própria contribuição, prevê que o recolhimento deve ocorrer até o dia quinze do mês seguinte ao da competência.

26. Portanto, estando dentro do prazo legalmente estabelecido para o recolhimento da contribuição previdenciária relacionada a uma determinada competência, não há como exigir o seu recolhimento antes do prazo legal.

 

4. A DECISÃO SE APLICA TAMBÉM PARA OS CASOS DE ATIVIDADES CONCOMITANTES (EMPREGADA E UMA CONTRIBUIÇÃO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL)?

27. De acordo com o art. 13 da Lei nº 8.213, de 1991, é vedado ao segurado obrigatório do RGPS (empregado, empregado doméstico, trabalhador avulso, contribuinte individual e segurado especial) se filiar novamente na condição de segurado facultativo. Todavia, é possível que um empregado também exerça atividade remunerada na condição de contribuinte individual, possuindo dois vínculos ativos junto ao RGPS.

28. O salário-maternidade da empregada é pago diretamente pela empresa, mediante posterior compensação; enquanto que cabe à Previdência Social pagar diretamente o salário-maternidade devido à contribuinte individual, não existindo vedação à percepção simultânea dos benefícios.

29. Logo, com base no julgamento proferido pelo Supremo Tribunal Federal, é devido o benefício de salário- maternidade à contribuinte individual, ainda que já seja filiada ao RGPS como empregada e que referida filiação se dê após a concepção, pois declarada inconstitucional a exigência então prevista no inciso III do art. 25 da Lei nº 8.213, de 1991.

30. Por sua vez, com base nos argumentos apresentados em resposta ao questionamento 2, deve-se exigir da contribuinte individual, filiada também como empregada, a comprovação do efetivo exercício da atividade remuneratória ou econômica, não se aplicando no ponto as particularidades fáticas lá registradas, pois vedada a filiação concomitante da segurada obrigatória como segurada facultativa, o que inviabiliza a convalidação outrora tratada.

 

5. A FORMA DE CÁLCULO DO BENEFÍCIO CONSISTE EM UM DOZE AVOS DA SOMA DOS DOZE ÚLTIMOS SALÁRIOS DE CONTRIBUIÇÃO, APURADOS EM UM PERÍODO NÃO SUPERIOR A QUINZE MESES. NAS HIPÓTESES EM QUE O CÁLCULO DO BENEFÍCIO RESULTE NO VALOR INFERIOR AO SALÁRIO MÍNIMO, O BENEFÍCIO DEVERÁ SER CONCEDIDO NO VALOR DE UM SALÁRIO MÍNIMO?

31. Nos termos do § 2º do art. 201, da Constituição Federal de 1988, nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado terá valor mensal inferior ao salário mínimo.

32. O salário-maternidade é um benefício previdenciário substitutivo da renda, razão pela qual o seu valor mensal não poderá ser inferior ao valor do salário mínimo, ainda que o cálculo realizado na forma da legislação alcance um valor inferior.

33. Ademais, o próprio art. 73 da Lei nº 8.213, de 1991, assegura o piso de um salário mínimo para o benefício de salário-maternidade.

 

6. SERÁ ELABORADO PARECER DE FORÇA EXECUTÓRIA PARA SUBSIDIAR O CUMPRIMENTO DA DECISÃO?

34. Em atenção ao presente questionamento, os autos foram encaminhados à Secretaria-Geral de Contencioso da Advocacia-Geral da União, que elaborou o PARECER DE FORÇA EXECUTÓRIA n.00358/2024/SGCT/AGU (Seq. 36).

 

7. A INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA SE ESTENDE PARA A ATUAL REDAÇÃO DO DISPOSITIVO DADA PELA LEI Nº 13.846, DE 2019?

35. Conforme atestado no PARECER DE FORÇA EXECUTÓRIA n.00358/2024/SGCT/AGU (Seq. 36), a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal no bojo das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2110 e 2111 abarca a redação atual dada ao art. 25 da Lei nº 8.213, de 1991, dada pela Lei nº 13.846, de 2019, tendo em vista que se tratou de mera alteração redacional, mantendo-se o ponto relevante de questionamento, in verbis:

19. Nota-se, nesse ponto, que o Supremo Tribunal Federal analisou o dispositivo legal questionado em sua redação atualmente vigente, estabelecida pela mencionada Lei nº 13.846/2019, a qual trouxera modificações meramente sutis à norma, mantendo, no ponto relevante do questionamento, a exigência de carência de 10 (dez) meses para a concessão do benefício.

[...]

23. Desse modo, em atendimento ao item VII dos questionamentos formulados pela Consultoria Jurídica junto ao Ministério da Previdência Social, entende-se que a inconstitucionalidade do artigo 25, inciso III, da Lei nº8.213/1991 se estende à atual redação do dispositivo, conferida pela Lei nº 13.846/2019, conforme expressamente consignado no acórdão.

 

8. A DECISÃO TEM EFEITO PARA FATOS GERADORES A PARTIR DE 05 DE ABRIL DE 2024 OU PARA REQUERIMENTOS FEITOS A PARTIR DESSA DATA?

36. De acordo com o registrado no PARECER DE FORÇA EXECUTÓRIA n.00358/2024/SGCT/AGU (Seq. 36), o acórdão passou a produzir efeitos a partir de 05 de abril de 2024, vinculando, a partir desta data, as atividades e análises administrativas relacionadas à fruição do salário-maternidade.

37. Logo, os requerimentos apresentados após tal marco ou anteriores, mas pendentes de apreciação, devem observar as diretrizes fixadas na decisão judicial, ainda que o fato gerador seja anterior.

38. Registra-se, contudo, que no direito previdenciário, em deferência ao princípio do tempus regit actum, a aferição do cumprimento do requisitos necessários à fruição de determinado benefício deve se dar com base na data em que ocorrido o fato gerador do benefício.

 

9. A DECISÃO SE ESTENDE AOS FATOS GERADORES ANTERIORES À DATA DA DECISÃO?

39. A teoria da nulidade é um princípio fundamental no controle de constitucionalidade, que visa assegurar a supremacia da Constituição e a proteção dos direitos fundamentais. De acordo com essa teoria, os atos normativos que contrariam a Constituição são considerados nulos, ou seja, desprovidos de qualquer efeito jurídico desde a sua origem, não produzindo efeitos jurídicos válidos.

40. No âmbito do controle de constitucionalidade, a teoria da nulidade é aplicada tanto no controle concentrado quanto no controle difuso. No controle concentrado, realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a declaração de inconstitucionalidade de uma norma resulta na sua nulidade, com efeitos erga omnes (para todos) e ex tunc (retroativos). Já no controle difuso, realizado por qualquer juiz ou tribunal, a declaração de inconstitucionalidade tem efeitos inter partes (entre as partes do processo) e ex tunc (retroativos).

41. No entanto, o STF pode, em situações excepcionais, modular os efeitos da decisão de inconstitucionalidade, atribuindo-lhe efeitos prospectivos (ex nunc) para evitar a insegurança jurídica e proteger a confiança legítima dos cidadãos, trata- se de uma ferramenta importante para equilibrar a necessidade de correção de normas inconstitucionais com a preservação da estabilidade e previsibilidade do ordenamento jurídico.

42. No caso em tela, de acordo com o PARECER DE FORÇA EXECUTÓRIA n.00358/2024/SGCT/AGU (Seq. 36) , não houve modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, logo, ela retroage à origem da norma, desde a sua publicação.

43. Portanto, a decisão engloba tantos os fatos geradores futuros, quanto os fatos geradores que lhe são anteriores.

10. DEVERÁ SER OBSERVADO O PRAZO PRESCRICIONAL?

44. Nos termos do parágrafo único do art. 103, da Lei nº 8.213, de 1991, prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data em que deveriam ter sido pagas, toda e qualquer ação para haver prestações vencidas ou quaisquer restituições ou diferenças devidas pela Previdência Social.

45. O referido prazo deve ser observado, porquanto plenamente aplicável à espécie, não podendo a segurada quedar-se inerte sem qualquer consequência, tampouco podem as relações jurídicas permanecerem indefinidas eternamente.

46. Vale lembrar que, o Supremo Tribunal Federal ao definir o Tema de Repercussão Geral nº 313 fixou o entendimento que o direito à previdência social constitui direito fundamental e, uma vez implementados os pressupostos de sua aquisição, não deve ser afetado pelo decurso do tempo. Como consequência, inexiste prazo decadencial para a concessão inicial do benefício previdenciário. É legítima, todavia, a instituição de prazo decadencial de dez anos para a revisão de benefício já concedido, com fundamento no princípio da segurança jurídica, no interesse em evitar a eternização dos litígios e na busca de equilíbrio financeiro e atuarial para o sistema previdenciário.

 

11. NA HIPÓTESE DE RETROAÇÃO DA DECISÃO, A REVISÃO DOS BENEFÍCIOS INDEFERIDOS DEPENDERÁ DE REQUERIMENTO DOS INTERESSADOS OU DEVE-SE FAZER DE OFÍCIO?

47. Como já registrado, o PARECER DE FORÇA EXECUTÓRIA n. 00358/2024/SGCT/AGU (Seq. 36) delimitou que o acórdão passou a produzir efeitos a partir de 05 de abril de 2024, vinculando, a partir desta data, as atividades e análises administrativas relacionadas à fruição do salário-maternidade.

48. Portanto, a determinação judicial apenas condiciona as atividades e análises administrativas posteriores à sua produção de efeitos, ainda que abarque fatos geradores que lhe são anteriores, permanecendo hígidas as atividades administrativas anteriormente exercidas, sem prejuízo de que os fatos geradores analisados em momento anterior à produção de efeitos da decisão sejam objetos de novos requerimentos ou pedidos revisionais.

49. Destarte, posdemos sistematizar a resposta aos itens 8 a 11 da seguinte maneira:

a) os requerimentos apresentados após 05/04/2024 e os requerimentos anteriores que ainda se encontrem pendentes de análise deverão observar as diretrizes fixadas na decisão judicial, ainda que o fato gerador seja anterior;

b) os fatos gerados analisados em requerimentos concluídos antes de 05/04/2024 poderão ser objetos de novos requerimentos ou pedidos revisionais;

c) em todos os casos aplica-se o prazo prescricional.

12. A DECISÃO SE APLICA AOS CASOS DE NASCIMENTO,  ABORTO, ADOÇÃO E ÓBITO DA MÃE?

50. Conforme atesto pelo PARECER DE FORÇA EXECUTÓRIA n.00358/2024/SGCT/AGU (Seq. 36), "decisão examinada não adentrou nessas questões específicas do salário-maternidade, estando a parte dispositiva do acórdão relacionada, tão-somente, à declaração de inconstitucionalidade da exigência legal de carência para a fruição de salário-maternidade, prevista no artigo 25, inciso III, da Lei nº 8.213/1991, na redação dada pelo artigo 2º da Lei nº 9.876/1999, como forma de conferir concretude ao princípio da isonomia e ao dever constitucional de proteção à maternidade e à criança'''.

51. Portanto, não há, a princípio, determinação judicial com caráter vinculante impondo que a Administração desconsidere a carência também para os casos de aborto, adoção e óbito da mãe.

52. Todavia, o fundamento de decidir adotado pelo Supremo Tribunal Federal buscou estabelecer uma isonomia material entre as mulheres, mediante a adoção de parâmetros igualitários para todas as categorias de trabalhadoras, fundamento que permanece plenamente aplicável aos demais casos legalmente ou jurisprudencialmente assemelhados ao nascimento, como corolário da definição dada nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2110 e 2111.

53. Portanto, visando evitar uma infrutífera judicialização, oportuno que o entendimento fixado para o nascimento seja também aplicado para as situações assemelhadas (aborto, adoção e óbito da genitora), respeitada as particularidades de cada situação. Entretanto, como já dito, não há, a princípio, uma vinculação imposta pelo julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2110 e 2111, cabendo à Administração, com base em uma análise de conveniência e oportunidade, seguir o caminho que entender o mais adequado para a concretização das suas funções.

13. É DEVIDO O RECONHECIMENTO DO DIREITO AO SEGURADO(A) SERVIDOR PÚBLICO QUE COMEÇAR A CONTRIBUIR COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL APÓS A CONCEPÇÃO?  DEVERÁ SER EXIGIDA A COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE?

54. De acordo com o § 5º do art. 201 da da Constituição Federal de 1988, é vedado ao servidor público, por participar de regime próprio de previdência social, se filiar ao RGPS na condição de segurado facultativo. Todavia, caso o servidor venha exercer atividade remunerada de forma concomitante à atividade pública, será obrigatoriamente, em relação àquela atividade, filiado ao RGPS, na qualidade de segurado empregado ou contribuinte individual, por exemplo.

55. Logo, com base no julgamento proferido pelo Supremo Tribunal Federal, é devido o benefício de salário- maternidade à servidora pública filiada ao RGPS na qualidade de contribuinte individual, ainda que referida filiação se dê após a concepção, pois declarada inconstitucional a exigência então prevista no inciso III do art. 25 da Lei nº 8.213, de 1991.

56. Por sua vez, com base nos argumentos apresentados em resposta ao questionamento 2, deve-se exigir da servidora pública filiada ao RGPS na qualidade de contribuinte individual a comprovação do efetivo exercício da atividade remuneratória ou econômica, não se aplicando no ponto as particularidades fáticas lá registradas, pois vedada à servidora pública se filiar ao RGPS como segurada facultativa, o que inviabiliza a convalidação outrora tratada.

 

III

 

57. Ante todo o exposto, e com arrimo no art. 11 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, limitada a análise ao quanto delimitado pela Secretaria-Geral de Contencioso da Advocacia-Geral da União no PARECER DE FORÇA

EXECUTÓRIA n.00358/2024/SGCT/AGU (Seq. 36) e pelo julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2110 e 2111 pelo Supremo Tribunal Federal, conclui-se:

a) pela inexistência de respaldo normativo para restringir o acesso ao benefício de salário-maternidade à segurada facultativa;

b) pela impertinência, nos termos do art. 20 da LINDB, de se exigir do contribuinte individual a demonstração do exercício da atividade para fins de elegibilidade ao benefício de salário-maternidade;

c) que estando dentro do prazo legalmente estabelecido para o recolhimento da contribuição previdenciária relacionada a uma determinada competência, não há como exigir o seu recolhimento antes do prazo legal, apenas

para que o indivíduo possa ser considerado segurado;

d) pela necessidade de se  exigir da contribuinte individual, filiada também como empregada, a comprovação do efetivo exercício da atividade remuneratória ou econômica, não se aplicando no ponto as particularidades fáticas que levaram à conclusão registrada no item 'b', pois vedada a filiação concomitante da segurada obrigatória como segurada facultativa, o que inviabiliza a a convalidação outrora tratada;

e) que o salário-maternidade, por ser um benefício previdenciário substitutivo da renda, não pode ser inferior ao valor do salário mínimo, ainda que o cálculo realizado na forma da legislação alcance um valor inferior;

f) pela expedição do PARECER DE FORÇA EXECUTÓRIA n. 00358/2024/SGCT/AGU (Seq. 36);

g) que a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal no bojo das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2110 e 2111 abarca a redação atual dada ao art. 25 da Lei nº 8.213, de 1991, dada pela Lei nº 13.846, de 2019;

h) que a partir de 05 de abril de 2024 as atividades e análises administrativas relacionadas à fruição do salário-maternidade devem observar as diretrizes fixadas na decisão judicial, ainda que o fato gerador seja anterior;

i) que a decisão engloba tantos os fatos geradores futuros, quanto os fatos geradores que lhe são anteriores;

j) que o prazo prescricional previsto no parágrafo único do art. 103, da Lei nº 8.213, de 1991, deve ser observado,

não podendo a segurada quedar-se inerte sem qualquer consequência, tampouco podem as relações jurídicas permanecerem indefinidas eternamente;

k) que a determinação judicial apenas condiciona as atividades e análises administrativas posteriores à sua produção de efeitos, ainda que abarque fatos geradores que lhe são anteriores, permanecendo hígidas as atividades

administrativas anteriormente exercidas, sem prejuízo de que os fatos geradores analisados em momento anterior à produção de efeitos da decisão sejam objetos de novos requerimentos ou pedidos revisionais;

l)  ser oportuno que o entendimento fixado para o nascimento seja também aplicado para as situações assemelhadas (aborto, adoção e óbito da genitora), respeitada as particularidades de cada situação. Entretanto, não há, a princípio, uma vinculação imposta pelo julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2110 e 2111, cabendo à Administração, com base em uma análise de conveniência e oportunidade, seguir o caminho que entender o mais adequado para a concretização das suas funções;

m) ser devido o benefício de salário-maternidade à servidora pública filiada ao RGPS na qualidade de contribuinte individual, ainda que referida filiação se dê após a concepção. Todavia, deve-se exigir da servidora pública filiada ao RGPS na qualidade de contribuinte individual a comprovação do efetivo exercício da atividade remuneratória ou econômica, não se aplicando as particularidades fáticas que levaram à conclusão registrada no item 'b', pois vedada à servidora pública se filiar ao RGPS como segurada facultativa, o que inviabiliza a convalidação outrora tratada.

 

À consideração superior, com sugestão de ulterior devolução dos autos à Secretaria de Regime Geral de Previdência

Social.

 

Brasília, 29 de janeiro de 2025.

 

VICTOR DE OZÊDA ALLA BERNARDINO

Procurador da Fazenda Nacional

Consultor Jurídico Adjunto

 

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